27 de dezembro de 2016

Prolixamente

Já estava há muito tempo sem passar aqui. E, de repente, deu aquele estalo e uma vontade louca de escrever prolixamente. Prolixamente, entendeu? Que é o que faço quando chego aqui! Porque escrever eu não paro nunca. Se não são as composições das minhas canções que eu preciso dosar e ter todo cuidado para não escolher palavras demais, são as respostas no trabalho que, na maioria das vezes, são curtas. Então já estava quase me sentindo sufocada por elas. Parece que isso não existe? Mas existe sim. É aquele momento que você quer falar sem parar. A saída antigamente era o papel e a caneta. Agora não há nada que o computador não resolva. E mesmo com a pouca memória, lembrei de manhã que, na escola, eu escrevia cartas para as amigas. Cartinhas com mais de uma folha, frente verso, coraçõezinhos, flores, tudo colorido. Eram amigas daquelas com quem eu andava grudada, jogava vôlei, handebol, tudo junto. Sabíamos até o pensamento uma da outra. Não sei o porquê mas o nosso grupo tinha essa mania. E o engraçado era que, algumas vezes, eu recebia pedidos para escrever por uma para uma outra. Entenderam? Me explicavam a ideia e eu escrevia. Na adolescência, as amigas também me pediam para escrever para os seus ficantes, peguetes, namorados e afins. Era o mesmo esquema. Diziam a ideia central e eu ia toda boba com minha prolixidade ajudar as amigas. Acho que os ficantes, peguetes, namorados e afins daquela época nem deviam ler tudooooo rs mas se sentiam queridos e amados. Afinal alguém escrevera mais de uma página, na maioria das vezes, para eles. E esse era o objetivo delas. E o meu era deixar as amigas felizes. Sou assim até hoje. Mas não preciso mais escrever por elas. Até porque hoje nem se escreve mais cartas e quase nunca textos enormes. De vez em quando. Até porque podemos contar com os gifs, os 140 caracteres do twitter, as montagens no instagram, as postagens no facebook, fora as outras formas tecnológicas de dizer eu te amo, gosto de você, da nossa amizade e do que somos. É. O espaço cibernético realmente nos possibilita tantas coisas. Mas eu admito que fico p da vida quando tenho que voltar quase mil postagens para rever o que alguém escreveu pra mim e que gostei tanto. Na dúvida, eu printo tudo! E depois fico perdida nos emails procurando o que eu queria. Sei que existem aquelas lembranças no facebook. O problema é que surgem com espaço de tempo de, no mínimo, 1 ano. E aí, com essa vida corrida que levamos, as coisas provavelmente mudaram. E com essa memória que não ajuda, já viu! Por isso, eu gosto das minhas cartinhas pedidas no fundo do armário. Ficam ali quando eu preciso de palavras, carinho, colo, aconchego. Hoje de manhã, eu fui reler uma delas. E deu nisso. Ô texto grande! Ô saudade do amor prolixo descrito em tantas cartas. ;)

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