25 de abril de 2012

Sem saber

Foi como se a noite lhe reservasse naquele dia uma breve prévia do que viria. Sentiu-se bem e além dos limites geralmente estipulados de um primeiro encontro. Ainda assim, não se permitiu ir além e deixou-se ficar no ponto exato de não se levar pela emoção do momento. Era livre e faria o que quisesse. Mas algo a prendia e apontava que a hora não era tardia. Os dias se passaram e a revelação de que nem tudo fora verdade gritou aos seus ouvidos. Não quis ouvir, optou pelo corte. Não havia se preparado para correr para o sul e nem para o norte. Manteve-se no centro. Calada e quieta. A sensatez não lhe faltaria nesse momento. Eis que o tempo voou novamente e a história voltou. Num novo caráter, com outros desenhos, com simples apostas. Deixou-se levar pelo o que se estendia dia após dia. Aprendeu a curtir aquela primeira pessoa do plural que inicialmente se esquivava e passou a dividir. O tempo, o vento, o gosto, o posto, o desejo, o gracejo, tantos e tantos beijos. Foi feliz nos segundos telefônicos e nos minutos intermináveis de dias afins. Viveu horas de entrega pelo o que confiou ser a verdadeira vontade sua e alheia. Acreditou. De verdade. E foi exatamente aí que o vento mudou, sem anúncios, sem previsões. Fez a curva e supreendeu o tanto que batia naquele coração. Sentiu flutuar e, ao mesmo tempo, sufocar. Como se não tivesse mais como se encontrar. Sentiu-se só. Só faltou virar pó. Ainda teve forças para respirar fundo e não se entregar. Manteve-se firme e assim vai ficar. Até o tempo resolver o que fará.

2 comentários:

  1. O tempo resolve tantas coisas... nos dá respostas tão inesperadas...

    Bom fim de semana.
    Beijo grande.

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  2. Há momentos quem que o coração se deixa enredar mesmo quando a alma insiste em pedir cautela... mas se não arriscarmos nada, também jamais viveremos nada!
    Beijokas e meu carinho.
    Saudades.

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