22 de maio de 2011

Revelação

Ela resolveu ser feliz. Impulsionada pela certeza de que havia saída para o que parecia impossível, decidiu fazer diferente. Acordou naquele dia já com as ideias rearrumadas no interior conturbado por tantos anos de insegurança. Afinal passara anos anulando o que de bom trazia apenas pelo medo claro de se olhar verdadeiramente no espelho de si mesma. Não sei via. Não se sentia. Não se despia. Principalmente dos pudores remotos que eram quase exportados do século passado. Não que fosse retrógrada ou ultrapassada. Arcaica ou obsoleta. Optava por não se encarar e, assim, ficar à margem do mundo. Com o rosto colado ao vidro, via correr a vida lá fora sem de nada participar. Deixava-se andar por aí sem interagir. Alguns contestavam e não entendiam. Entediada, achava-se incomum. E reprimia-se, fechava-se. Não se entendia. Mas eis que voltou-se para si mesma e encontrou a sua revelação. Era apenas diferente. Poderia não seguir a corrente do cotidiano que se apresentava, para ela, rápido demais. No entanto, era como várias e, ao mesmo tempo, como nenhuma. Tinha suas particularidades, carregava suas propriedades e devia ser vista assim. Exatamente como é. Não precisa de máscaras ou retoques. Nem de disfarce ou dissimulação. Aos poucos vai compreendendo onde pode chegar e chegará ao ponto de ter, de fato, o que quer.

5 comentários:

  1. Que incrível! Sempre tem um pouco da gente nesses relatos espontâneos.
    Beijo imenso no seu coração!
    Boa semana.

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  2. ...Lu querida,

    adoro teus posts!

    eles falam um pouco de
    todos nós.

    bjokas, linda!

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  3. Bonito mesmo é essa particularidade de cada um que poucos usam para mostrar sua diferença.Acham mais fácil ser como todos e esquecem como são atrativas as pessoas que insistem em manter seu diferencial.

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  4. Ver a vida correr... é, o negócio é correr atrás dela.

    Beijo imenso, Lu.

    Rebeca

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