27 de fevereiro de 2011

E será que ela existe?

Ela foi mais forte do que esperava. Despiu-se dos pudores que ainda atavam aquelas mãos brancas e mergulhou em nervos ativos daquele que a espreitava ainda sem entender. Mas que a olhava com a ternura e com o amor que parecia que ela nunca poderia ter. Menina antes recatada, de família abastada e quase megalomaníaca, que não lhe permitia o toque e não lhe deixava viver. Antes do momento e de toda mutação, precisou travar dentro si bravo duelo com os elos que a ligavam à educação ríspida e mutiladora. Aquela que lhe tirara a doçura da adolescência e trancara no íntimo do ego a sofreguidão que insistia em explodir. O pensamento não podia voar e nem mesmo imaginar a felicidade tão distante. No instante em que seus olhos se perdiam ao infinito, a voz dura lhe trazia à realidade e lhe indagava sobre o que pensava. Mentia. Não revelava seus mais secretos anseios. Enganava com a face, ao sugerir serenidade, mas, no fundo, estava vivendo paralelamente no inconsciente indomável. Estudou detalhadamente em frente ao espelho como se esquivaria de tamanha repressão. E assim continuou por anos. Sem sentir, de fato, o gosto da descoberta por si mesma. Lia livros então proibidos de romances trágicos, como entre Capuletos e Montecchios, ou de sofrimentos, liberdade e superação como a vida de Frida Kahlo. Sonhava com o ato do oposto que nunca se aproximava. Não por falta do desejo, mas por tantas barreiras intransponíveis. A juventude lhe chegara com a esperança de que seria livre do freio e da proibição. Veria de perto o que a vida poderia propor. Foi quando sua estrada cruzou com aquele que lhe apresentaria o lado bom e mau. No primeiro contato, decidiu jogar-se e, depois de experiências desejáveis, quase sucumbiu de tristeza. Ele se satisfez e sumiu. Sem rastros. Ela chorou, quis fechar as portas do novo que poderia surgir e quis, de verdade, sumir de tudo e dali. Quando a dor já beirava o limite e a sensação de rejeição já ocupara todos os espaços, veio aquele com quem a vida poderia realmente dividir. Respeito, reverência, consideração, paciência. Parecia que tinha o poder da eloquência e de lhe fazer ceder. Finalmente aceitou e se encontrou, aprendeu de vez o que é viver.

9 comentários:

teca disse...

Isso é vida... um mundo cheio de novas experiências e transformações.
Tem que tentar, experimentar, vivenciar... senão não é vida.

Um beijo imenso!

Vivian disse...

...a vida às vezes dói,
mas sem arriscar nunca
poderemos de fato VIVER!

bj, minha linda!

Paulo Tamburro disse...

LU,

nada é mais bonito e gostoso do que ouvir do que uma mulher falar sobre as coisas do amor.

E creia, já provei muita coisa gostosa nesta vida.

Por exemplo: Nhá-Benta com aquele tradicional recheio de marshmalow, quem não gosta?

Quer coisa mais bonita do que o gran finale de um espetáculo do Cirque Soleil?

Então LU, sua narrativa e toda esta espetaculosidade de superações , conflitos e objetivos tem o carimbo existencial da mulher!

Por vezes estes tipos de depoimentos parecem tão assemelhados que, já temos a impressão de os termo lido em outro lugar.

Ledo engano, LU !!!

Nenhum é absolutamente parecido com o outro e só, quem não sabe pontuar o texto , colocando as respectivas virgulas , interrogações e exclamações nos lugares certos é que se confunde com os das outras.

Este não é o seu caso!

Pontuação, irretorquível.

E sabe a razão de ter dito que só à mulher - e entre elas você é referência - sabe falar e extrvasar estes diques de repressão juvenis?

Porque aos homens não lhes é dado o direito de serem tão parcimoniosos e nem andarem por tantos labirintos de conquista do sexo oposto.

É uma questão de sobrevivência!

Meninos aprendem que , homens conseguem e precisam fazer vibrar suas espadas nestes céu do universo feminino, nem que a vaca tussa ou vá pro brejo.

Tem que chegar junto, correr do lado e jogar na relva, na cama, no feno do celeiro, enfim domar o bicho fêmea, possuí-la sem delongas, e não perder tempo com filosofia educacional.

É muita testosterona para segurar e uma abundância de feromônios incríveis a se desfazer e mais tarde LU, todos nós homens gostaríamos de poder contarmos histórias tão lindas enternecedoras, como esta que você narrou.

Não nos dão tempo LU, e creia na minha idade não poder ter estas suas lembranças dói mais do que a luta insana que tive para me tornar e fazer-me funcionar como homem.

Este é um dos mais lindos textos que lí e jamais escreverei!

Quer que eu minta?

Um abração carioca.

Fernanda Magalhães disse...

Porque é dos conflitos, quedas, saltos e pouca vergonha na cara que conseguimos está em pé.

Estais a cada texto mais atrevida. Gosto disso.

Bjos minha flor

sindro disse...

Oi Adorei o texto, gostaria que conhecesse o meu blog de textos, agradeço desde já a visita, obrigado.

Thalita Santos disse...

''No primeiro contato, decidiu jogar-se e, depois de experiências desejáveis, quase sucumbiu de tristeza. Ele se satisfez e sumiu. Sem rastros. Ela chorou, quis fechar as portas do novo que poderia surgir e quis, de verdade, sumir de tudo e dali. ''

Tão eu este texto, tão profunda tuas palavras, tão encantadora e mágica tua escrita/descrição.

Anônimo disse...

e...que se possa aprender, dia a dia, sem ter a vergonha de ser feliz!! :p

Bjo grande, Lu!
Xanda

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

Aprender a viver deveria ser mais fácil.

Beijo, Lu linda.

Rebeca

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Tiago Fagner disse...

Muito lindo Lu. Foi duro, é duro, mas se ela encontrou-se com o viver, tudo valeu a pena. Importante e não perder-se e ter a sorte de se achar.

Bjãoo!