2 de fevereiro de 2011

Carência

Ela chega sem avisar e é quase incessante, sucedida, contínua. Flutua entre a primeira palavra afável e o dócil gesto. Nada é irrelevante ante sua intenção. Pressão que revira o ânimo e não se permite estar só. A solidão seria o átimo degradante de uma biografia irrisória. A pólvora que não explora nem aflora o lume, o clarão, a luz. O explosivo que é inoperante e, nem mesmo no instante exato, faria-se supremo o choque. O fogo que não abrasa, nem acalora o que a faria penar, só abranda e enternece o pensar. Nossa! Mas como se estabelece quem não merece tal isolamento e interiorização? É o caso do imponderável que, de amável, faz-se viver e buscar o que não há em vão. Não sei até onde ela irá nem sei se o fato concreto a faria cessar. Ela se faz presente independentemente do que vai encontrar. É inata e não provém da experiência que se adquire com o que passar. É frágil, é ágil e só faz pensar. Todo o tempo. Impotente se sente a quem ela se entregar. Descrente ficará diante da ausência, da escassez, da privação que insiste em controlar a vida. Mesmo assim, há quem diga. É bonita, é bonita, é bonita.

8 comentários:

  1. Quantas vezes a gente tem essa sensação... ah... quantas vezes...

    Um beijo doce.

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  2. Restou o silêncio e, tão silenciosamente qta inevitável...a carência... E vc diz dela inesperada??!!! :*
    Bjins, amiga!!!

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  3. LU DANTAS,

    quem algum dia já teve a ousadia de querer descrever um fato, um momento, uma ilusão, fantasia, dor do amor, paixão, e colocar em prosa a realidade existencial de um apaixonado ou desprezado, sabe que esta abstração é dificílima.

    Ou seja, encontrar o exato ponto de ruptura entre o real da vida e o real da literatura e parir um texto.

    É como se à bordo de uma cápsula espacial tivessemos que calcular a trajetoria exata para uma reentrada na atmosfera terrestre.

    A inclinação, o ângulo tem que ser , absolutamente perfeito , pois, caso contrário o artefato irá se pulverizar.

    E desta forma e com esta competência que você faz literatura.

    Um abração carioca.

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  4. uau...

    que texto belo e sensível...
    parabéns ! escreves lindamente.

    beijão

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  5. Lu,

    Inimaginável não me ver em algum momento da minha vida nessas palavras.


    Um beijoooo!

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  6. ...quem em algum momento
    da vida, não teve como cia
    esta sensação de falta?

    o segredo é transformá-la
    em poesia, como fizestes
    tão lindamente aqui!

    bj, linda!

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  7. Suas palavras parecem que tem uma eternidade de sensibilidade.

    Beijo, Lu linda.

    Rebeca

    -

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  8. É, tem gente que diz que é bonito e tal...Talvez seja, sei lá!
    Bjoo!!!

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