21 de abril de 2010

Reencontros

Aquele dia parecia como outro qualquer. Na calmaria de uma castidade quase imposta por estar desprovida de interesses, já pressentia como ele acabaria. Chegaria em casa exausta, com o peso de tantas palavras de uma semana inteira, deixar-se-ia envolver por aquele chuveiro forte, sentindo aquela água quentinha amolecer o corpo, deslizaria ao fim aquele óleo que aveluda cada centímetro de pele, escolheria o tradicional conjuntinho de dormir e entregar-se-ia aos braços de morfeu. Mas eis que o inesperado imprevisto lhe surrupia os últimos segundos de obviedade que costuma ter ao fim de um dia de trabalho. Depara-se, então, com o refluxo do passado, que a leva num movimento onde vê que a maré se afasta da margem de erros que sempre manteve. A troca de energia inevitável parecia carregá-la para onde nem mais imaginava. Imaginar, ela imaginava, como imaginou diversas vezes. Por sinal nas últimas semanas. Assustou-se ao pensar nisso. Enquanto reagia como por instinto a ação que lhe vinha ao encontro, ficou refletindo se aquele sexto sentido havia norteado outras decisões do seu cotidiano. Talvez sim. Talvez não. Na verdade, não lhe importava encontrar essa resposta. O que queria agora era encontrar a decisão que deveria tomar diante do convite inimaginável e, excitantemente, desejado. Procurou ser firme, despojada, sem preconceitos. Antes de se arrepender ou de temer pelo o que poderia vir depois, disse sim. Sim. Ela disse sim. Há quem nem acredite nisso, enquanto há quem diga que sabia que a cortina estava prestes a se abrir. Foi pelas ruas evitando fazer análises, ansiosa pelo reencontro. Quanto tempo! Mas sabia o que fazer. Aproveitaria a oportunidade que se estendia à sua frente. Poderia compreender o que encontraria de doce, seguro, carente. Resolveu que não faria projetos para amanhã e depois e depois e depois. Já vivera aquilo na intensidade máxima e sabia como podia acabar. Queria o hoje. Durante aquele tempo que parecia infinito, curtiu minuto por minuto. Deliciou-se à exaustão. Até que o relógio gritou e a hora bateu. Só deu tempo de olhar nos olhos, esboçar um largo sorriso e pensar naquela música..."Valeu! Foi bom, adeus!"

7 comentários:

  1. Lu querida!
    Li mais de uma vez o seu post. Por uma simples razão...
    Ainda que a personagem seja feminina, me li no texto. Só não me pergunta porque...!
    Beijo enorme.

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  2. É tão complicado não fazer projetos, né, Lu? Mas se valeu, valeu... e se foi bom, deixa pra saber depois do adeus.

    Beijo imenso, menina linda.

    Rebeca


    -

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  3. Lu Dantas, obrigado por ir ao meu blog e compartilhar a sua opinião. Conto com você para continuar a postar. Ok?

    Abraço e até breve!

    Jefhcardoso

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  5. Muito intenso e denso o conceito do seu blog, parabéns! retorno mais...porém, seguirei você!

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  6. Eu queria tentar nao planejar a minha vida, mas não dá!

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  7. A gente fica tentando só viver o hoje, mas, que é difícil, é!
    Bjoo!!

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