5 de setembro de 2009

Saindo do casulo

Ela vive a estreia de sua metamorfose. O desprendimento do desassossego. A rebeldia do espelho da ilusão. A clareza refletida no anseio irreprimido. É seu momento. Guardado lá dentro. Vai do medo de sair do casulo e se reconhecer com a beleza e a leveza das asas coloridas que ganhou à ousadia de saber que os anos que carrega nos ombros não simboliza a juventude que o corpo não abandona. Talvez por isso esteja relembrando os períodos inesquecíveis dos jovens rodopios que lhe acompanham a inquietação e o palpitar do tempo passado. E ela até gosta. E suspira sintonizando o prazer. Pensa. Repensa. Tremula ao vento, ainda com aquele mínimo índice de insegurança. Pouco, é fato. Mas ainda resiste. A fuga de si parece inevitável para afastar o preconceito alheio que lhe espreita a cada gesto. Ela reage. A coragem, então, se enche de certeza e se nega a ceder. É dela o combate, o corpo a corpo, sem armas. É dela a sobrevida, a exceção e a falta de prudência. É dela o risco, o desvelo, a coerência e o zelo. É dela a preferência, a opção, o que sacode o coração. Ela vive, salta de si e se liberta. Vai do sul ao norte. Corre, grita, suplica por mais e mais. Vê-se menina a recobrar consciência e aceita o infinito que a linha do horizonte lhe traz.

4 comentários:

  1. Fico feliz por "ela"!
    A consciência da plenitude vai fazer com ela tenha voos maravilhosos. Tenho certeza!
    Um beijãozão!

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  2. Ela luta com a sabedoria dos sábios... lindo!

    Você escreve com tanta intensidade, Lu linda.

    Noite de luz!

    Rebeca

    -

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  3. Oi Lu,
    Como vc disse:

    "É dela a preferência, a opção, o que sacode o coração!"

    Que se deixe levar pelos sacodes que a vida nos proporciona, que voe livre!

    bjinhos

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  4. Viva a nossa eterna metameorfose...
    Bjs

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