16 de maio de 2009

Saudade

Ela apontou como se estivesse à deriva num horizonte vasto ou à beira-mar. Veio do nada. Sem aviso. Num ritmo lento. Devagar. Ainda irrelevante. Dominável. Aos poucos, foi se impondo, vibrando, crescendo, remoendo por dentro. Passou a voar por aí. Foi para lá, tornou aqui. Ventou suavemente para, logo em seguida, virar temporal. Trouxe raios e trovões. Tempestade solta no ar. Relâmpagos refletidos e rajadas possantes. Causou um incômodo momentâneo em tudo o que trazia de volta e revigorou o passado embriagado de doces lembranças. Revirou o que estava fechado em recordações brandas e serenas. Retumbou o estrondo aqui no peito como se nunca o tivesse visto. Fez-se o medo. Instalou-se o temor. Nada que se rendesse, de fato, ao pavor. Estabeleceu-se, sem sequer anunciar a chegada intencional. Criou a sina. Apertou firme. Doeu sentida. Exigiu a retomada do caminho deixado para trás. E saudou o presente. Confiou no impulso inconsequente e aguardou a sua estada premeditada. Era chegada a hora. Foi se acomodando, criando espaços, retornando aos laços que estavam findos. Aumentou depressa, ascendeu, elevou. Até explodir em emoções fortes e quase incontroláveis. Era ela. Era a mais dura proprietária dos sentidos. Buscou o objeto desejado para só então partir em paz, reencontrar o rumo, voltar ao lar. Decidiu com firmeza sua retirada. Já havia marcado sua presença e tinha em mente a certeza de que era o momento de afagar e se redimir. Parecia dona de si, mas virou dona de mim. Ô saudade que bate e não tem hora para acabar.    

8 comentários:

  1. Ela sempre chega assim sem avisar.

    Mas tem umas q são bem vindas, outras não.

    Saudades é como chocolate, prazeroso mais tem seus contras, neh?

    Bjos de luz!

    Espero q esteja tudo bem pro ai.

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  2. Não tenho saudades que duram por muito tempo. Algumas aparecem, mas logo trato de acabar com elas.

    Beijo

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  3. O post é sobre saudade, Lu, mas fiquei com a música "Teresinha", do Chico Buarque, na cabeça, enquanto lia. Deve ter alguma relação, sei lá!
    Bjooooooooooo!!!!!!!!!!

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  4. Lu, ela me inspira também!

    Saudade desse tipo é difícil de domar. Eu que o diga! Só na hora de matar que o assunto muda de figura! hahaha

    Até mais.

    Jota Cê

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  5. Lu.
    Já decidi. Sempre que estiver lendo os seus textos, vou ouvir "SHE" com o Charles Aznavour!
    Entre tantos posts bacanas que a gente lê por aí, os seus tem uma particularidade - fico pensando neles horas a fio.
    Beijão para você e para "ela".

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  6. É Lu, essa palavra que não tem tradução em nenhum outro idioma, é pequena, única e poderosa.

    É preciso saber lidar com ela, para que não nos aprisione, nos deixando no passado, em coisas vividas e que não retornarão.

    Mas por outro lado, é bom saber que existem coisas e pessoas que valem a pena estar presentes mesmo na ausência.

    Você é uma delas!

    Saudades amiga!!!!

    Bjo

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  7. Lu,

    Parar pra ler o que você escreve é uma forma de viajar pra dentro, é sentir o que seu texto nos faz pensar. Muito lindo o que sai dos seus dedos, cria vida.

    Jota Cê e eu fomos abençoados com um amor fora do comum. Pelo menos é assim que sempre sentimos, desde o começo. E como ele mesmo diz: "O resto é história".

    Lu, seu carinho é tão bem recebido por nós, tão bem cuidado... adoro sua presença.

    Que sua semana seja de luz, menina linda.

    Beijo grande.

    Rebeca

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  8. Saudade é essa coisa que eu venho sentindo faz tempo...
    =)

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