27 de maio de 2009

Constante

Não sei de que ponto lhe convém a chegada. Não sei por onde se esvai a saída. Mas sua imagem parece não se esgotar em mim. Sem tempo. Sem contratempo. Sem o instante que lhe retém o momento. Ecoa na mente sublime dos meus olhos internos. Expressa-se no quadro negro estampado na minha retina. Despoja-se de significados claros e vira turbilhão de perturbação. O meu olhar vespertino e ainda quase inchado insiste em buscar-lhe no mesmo ponto diário. É ali que inicia o dia, num brilho solar que lhe clareia os cabelos por segundos. Sobe, pisa firme e supera a roleta que se estende à sua frente. Gira. Roda. Rodopia em seu eixo. Na estrada adiante escolhe onde pode parar e deixar-se entreter. O espanto que me domina é encontrar-lhe assim, logo ao lado. Na divisa milimétrica que nos desquita. Quase intocáveis. Ainda inatingíveis e numa dimensão que só nós alcançamos, continuamos embalados pela melodia do atalho escolhido. Cada um na sua cadência. Reservo-me o desejo quase incontido de não sussurrar-lhe o que ainda guardo. Isso vira refrão em meu pensamento, mas segue seguro sem propagação. Vejo suas mãos inquietas, à busca do que não vê. Expressam a grande aflição de deparar-se com seu reflexo em mim. Aperta. Comprime. Expreme. De tão perto que lhe observo, percebo que o contato é quase imediato. Na iminência da nossa esperada colisão chega a minha hora da partida. Eu, então, me levanto e vou, sem olhar para trás. Sem perfilar a saudade que cessará no próximo amanhecer. Nem permitir que se instale aqui o medo de lhe perder.

13 comentários:

  1. Lu,

    Esse medo de perder quando vem, vem com tudo, né? Nunca fiz desse medo um bicho papão, sempre mostrei que o amor que sinto é iluminado.

    Você escreve muito lindo...

    É, sou nordestina, cearense da ''gema''..ahahaha

    Vai uma rapadura aí?

    ;)

    Beijo, menina que mora no meu coração.

    Rebeca

    -

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  2. E no próximo amanhecer, talvez o encontro seja inevitável.
    É esperar para ver!
    Me conta.
    Um beijão!

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  3. Oi,

    Adoro vir aqui!!

    E o jeito como vc consegue escrever, inclusive sobre o medo de perder, é ótimo.

    Se perca se encontrando nele!!!Rs

    bjinhos

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  4. Bah, que narrativa. Forte, ritmada e poética.
    Obrigado pela beleza das imagens.

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  5. olha eu dinovo aki KKKK vim agradexe a visitaa...vlw msm bjuus s2

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  6. belo texto, tem sua marca. Gosto daqui.
    Beijos
    Tenha um feliz final de semana.
    Maurizio

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  7. No sul mora a saudade
    No peito de mulher sem nome nem guarida
    Que percorre a beira-mar entoando
    Um chamamento de nostalgia

    Porque o amor não se detém
    Às vezes enlouquece a loucura
    Tempestade ou bonança
    Planta sedenta da ternura


    Bom fim de semana


    Mágico beijo

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  8. Olá, valeu pela visita. Desculpe a demora a responder. mas o tempo é curto.
    Um abraço, apareça.

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  9. Estou meio perdida ultimamente. Bom te ler.

    Obrigada, viu?


    Bjos de luz!

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  10. A aproximação e a perda! Ou O perto e o longe! Poderiam ser títulos para o post!
    Mas, no coração, fica tudo "embaralhado", né?
    Bjoooooooooo!!!!!!!!!!

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  11. Lu do meu coração, ficou na praia de Iracema? Conheceu o Mucuripe? Foi pra algum show de humor? Conheceu um bar delicioso de jazz? Ah, minha Fortaleza tem tanta coisa boa que nem sei...rs.

    Eu te queto tanto bem, sabia?

    Beijo do tamanho da minha Fortaleza, menina linda.

    Rebeca

    -

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