22 de abril de 2009

O encanto é o nosso

Tenho amigas que ainda sonham com o príncipe encantado, carruagens de cristal, beijos que podem despertar para a vida. São daquelas que sofrem por se encontrarem sozinhas. Sustentam lá suas carências. Tudo bem, tudo bem. Como a maioria das mulheres. Acho até que todo esse sonho tem relação com imposições sociais e "educação feminina" que a grande maioria recebeu. Quem nunca ouviu o conselho da vovó dizendo que mulher precisa casar, ter filhos, cuidar do marido, dos afazeres domésticos e até ser submissa? São heranças trazidas de séculos passados. Por mais que isso não seja mais tão explícito hoje em dia, essa "missão" e esse "dever" vivem implícitos e levam até elas aquele desejo de serem cuidadas. Até aí, não temos imensos problemas. Quem não gosta de proteção? Não condeno quem leva isso ao extremo. Mas o que me fez refletir sobre esse assunto foi um artigo que veio às minhas mãos sobre brasileiras que estão se convertendo ao islamismo em busca do príncipe encantado no mundo árabe. É importante deixar claro que não tenho nada contra a religião e nem pretendo discuti-la. O que me deixou pasma foi ver que aquela matéria mostrava que algumas mulheres no Brasil aceitaram se casar com muçulmamos, que estavam do outro lado do mundo e que conheceram pela internet, mesmo sem nenhum contato pessoal anterior. Nem um encontro sequer. Declarando-se apaixonadas, elas ainda resolveram se converter a uma religião para garantir o marido. Conversão para ter casamento. Carência? Foi isso mesmo que entendi? Fiquei de boca aberta. Entorpecida. Seria isso desespero? Continuei a pensar no assunto e lembrei que contam alguns que as mulheres, no Islamismo, sofrem opressão, são submissas, inferiores e devem ser sustentadas integralmente pelos homens. E isso seria aceitável para quem foi criada na nossa cultura? Já outros dizem que essa é uma visão distorcida e o Islã seria exemplo de inovação do direito das mulheres, tendo dado a elas há tempos o direito de voto, por exemplo, e também a segurança que necessitam. Tomara mesmo, então. Enfim, não quero julgar a decisão dessas mulheres que fizeram sua opção e arcarão com as consequências futuras. Serão felizes ou não. O que me deixou incomodada foi ver como nós, mulheres, ainda escolhemos o caminho de acordo com o deles. Muitas vezes, mudamos nosso cotidiano, nossos hábitos, gostos, desejos, amizades, crenças. Por eles. Para eles. Acontece na infância, passando pela adolescência e juventude, até na fase adulta. Posso exemplificar com exemplos fúteis..Se ele gosta de futebol, tentamos entender um pouco. Se ele curte carros, sabemos comentar sobre aquela super roda com aro tal. Se ele gosta de música clássica, passamos a ouvir o que há de melhor. E por aí vai. Nem sempre acontece o contrário e ele, normalmente, não mudará seus planos por nós. Nem seus horários. E isso não é discurso feminista. Nem é uma aposta. É constatação. De quem também já fez isso algumas vezes. Fiquei me perguntando até quando seremos assim e, mesmo indignada, não encontrei uma única resposta.

9 comentários:

  1. Como dizia Erasmo Carlos naquela canção: "Como dizia minha avó
    Antes mal acompanhada
    do que só!"

    O beijão de sempre!

    ResponderExcluir
  2. ai eu sempre sonhei com o meu principe, ele chegou enfim, rsrs.

    bjosss...

    ResponderExcluir
  3. Lu,

    É... o desespero tá grande!

    Só tenho a lamentar... !

    Ó, mas pelo menos essas vão procurar os machos longe. Ruim mesmo são aquelas, que querem os nossos... aí, minha bichinha, uma dessa tem que morar no inferno, pra mamãezinha aqui, não acabar com ela.

    Vixe, ciumeeeeeeeeeeeenta!


    ahahahaha

    Beijo grande, menina dos textos maravilhosos.

    Rebeca

    -

    ResponderExcluir
  4. olha, assim como nao é toda mulher q quer um principe (as vezes é o lobo q interessa...), o povo do islã tb nao segue sempre esse clichê q o imaginário coletivo nos oferece todo o dia. moro com um muçulmano e ele é a pessoa mais amável e inteligente do universo!
    claro q é estrano saber q ele pode casar com quatro mulheres ao mesmo tempo. mas cultura é isso aí. cada um no seu quadrado! =)

    ResponderExcluir
  5. é a crise mundial...


    Obrigada pela visita no elas e eles. volte sempre.

    Agrilla

    ResponderExcluir
  6. Passando para te desejar um ótimo final de semana.
    Belo texto(como sempre)
    Apareça, liberei meu outro blog, nesse final de semana. vê se vc gosta?
    Maurizio

    ResponderExcluir
  7. Sinceramente? Eu acho que elas se inferiorizam com tal postura... mas
    Apenas uma opinião!
    Quanto as tuas amigas... me passe os tels...rs

    ResponderExcluir
  8. É amiga, infelizmente enquanto as mulheres acreditarem que a felicidade vem da soma de duas metades que se completam, e não de dois inteiros que se complementam, continuaremos vendo atitudes como essas. O que faz o carro andar é um bom motor e combustível, e não ar-condicinado, bancos de couro, etc. É claro que isso torna a viagem mais confortável, mas não é imprescindível para que ela aconteça e seja boa.
    Mulheres, vamos nos amar mais e valorizar mais, pois só quem sabe o próprio valor, é capaz de reconhecer o valor, ou não, do outro. E para os controladores da vida alheia, responda com uma simples pergunta: Você paga minhas contas?

    Bjo Lu!

    ResponderExcluir
  9. LU DANTAS, eu vejo a vida humana como se fosse uma grande serralharia.

    Neste lugar existem dois tipos diferenciados de peças:

    Uma é acabada, pode ser a hélice de um avião, as partes de um grande tanque de combustível, os trilhos de uma estrada de ferro, enfim...

    A outra é a consequência do trabalho exercido sobre estes diversos tipos de metais e que se transformam, somente em limalhas de ferro e ficam caídas inúteis e depositadas no chão da serralheria.

    As peças prontas são entregues àqueles que a encomendaram.

    Quanto as limalhas de ferro elas recebem um tratamento que é exatamente, esse: Liga-se uma imen-sa peça eletromagnética e arrasta-se pelo chão.

    Por estar imantada ,as limalhas aderem aquela peça e formam um bolo imenso de pedaços de metais grupados ao imã

    Quando se quer desfazer daquela inutilidade, posiciona-se a peça elrtomagnetizada em cima de um caminha e desliga-se a energia.

    Então as limalhas se descolam e vão para o lixo ou para o processo de reciclagem de metais.

    Seres humanos, assemelham-se a isto: uns já saem da serralharia como elementos prontos para servir aos outros homens.

    No entanto, alguns serão apenas limalhas e estarão sempre fugindo para aqui ou pra ali, pois sabem que serão grudadas a grande peça eletromagnetica e arrastadas para o lixo.

    O ideal de todo ser humano é sair da serralharia da vida como uma peça útil para a sociedade, no entanto, outras se degradam em limalhas.

    Quem quer o Islamisno, ou o catolicismo, ou o espiritismo, ou o Budismo por ato de fé ou convicção espiritual, é uma peça pronta da serralharia.

    Quem apenas quer aproveitar-se disto, é apenas limalha de ferro.

    Terá muito que evoluir.

    ResponderExcluir