12 de abril de 2009

Nem tudo é perfeito

Rafaela e Ricardo se conheceram por amigos em comum. Esse tipo de coisa que acontece geralmente. Foi numa noite daquelas agitadas e, em grupo, passaram por, pelo menos, três lugares até escolher o melhor. Música, cerveja, papo agradável e, lá para o fim da noite, ela resolveu se aventurar. Caiu na lábia e naqueles lábios macios. Gostou dele de cara. Ele é aquele tipo extrovertido, que sobressai numa roda, dança pra valer, quase sem vergonha. Ela também não fica para trás. Acompanha o gingado e fala bastante. Eles se entenderam muito bem e foi aí que tudo começou. Engataram num pseudo-namoro que rendia jantares, saidinhas, baladas, muitos risos e diversão. O tempo foi passando, os dois foram se conhecendo cada vez melhor e ela descobriu que aquela energia do primeiro dia se estendia por todo o tempo e, às vezes, extrapolava qualquer limite. Parecia que ele carregava um egocentrismo exacerbado que incomodava até quem não estava envolvido na situação. Mas foi levando. Ele não era aquele exemplo de romantismo, como demonstrara no início, mas fazia ela rir. Era isso que importava. Só faltava ficar de cabeça para baixo para arrancar-lhe mais e mais gargalhadas. Ela se sentia bem, confortável e queria aproveitar o quanto possível. Ele também. Até que o exagero passou a incomodá-la. Rafaela tinha um trabalho que, de vez em quando, proporcionava-lhe um certo glamour por conviver com determinados ídolos. O tempo fez com que ela se acostumasse com eles e já nem dava tanta importância a alguns fatos, que o impressionavam. Para ela, à medida que a pessoa se aproxima do mito, ele se desfaz e vira o comum. Já não impressiona tanto ou comove como antes. Ele, no entanto, queria viver aquele mundo com intensidade. Como se fosse o seu. E foi aí que se perdeu. Ele tentava ser o centro das atenções a cada evento. Queria conhecer todo mundo, falar com todo mundo, ser notado por todo mundo. Sem sentir, chegou a incomodar alguns que o cercavam. Ela não queria magoá-lo e tentou contornar, aos poucos, as situações. Tirava-o daqui, levava-o para ali. Quando não estava nos lugares, ele ligava várias vezes, querendo detalhes do que acontecia, do que falavam, do que queriam. Ela foi enjoando daquilo tudo, cansando de responder a tantas perguntas. Até que resolveu terminar. Foi um Deus nos acuda. Ele não aceitava, fazia milhares de propostas, pedia explicações, tentava contornar o que parecia não ter volta. Não percebia seus exageros e não entendia o que a incomodava. Ela, sem jeito, reservou-se o direito de dizer apenas que não queria mais. Tudo para evitar o constrangimento dele. Ela não queria apontar defeitos e não se achava no direito de declarar-lhe seu julgamento. Chegou a justificar com várias frases como "Não gosto mais", "Não curto mais", "Não desejo mais". E, no fundo, isso virou até uma certa verdade com tantos desgastes. Foi doloroso. Mais para ele. Ela se conformou bem. Melhor do que esperava. Até hoje eles se falam. Ele ainda tenta retomar do ponto onde pararam e usa a sutileza que não tem. Faz convites, aparece de surpresa, gasta inúmeras ligações, não faz silêncio. Ela se esquiva. Tem grande carinho por ele. Mas perdeu a paciência.

7 comentários:

  1. Como tudo muda! Uma pena! Mas o que a gente mais faz na vida é se enganar!
    Bjoooooo!!!!!!

    ResponderExcluir
  2. Existem pessoas que não sabem a hora exata para sair de cena.
    Quantas pessoas vão se identificar com o teu texto! Muito bom!!
    Bjooss!!

    ResponderExcluir
  3. Concordo com o Francisco, tem a hora certa pra entrarmos e sairmos da vida das pessoas.

    bjoks, boa semana,

    Tessa.

    ResponderExcluir
  4. Nunca fui de impor limites, mas tenho limites. Minha paciência se esgota para pessoa efusivas! Sorrisos demais, abraços demais, conversas demais... E é como sempre digo: nada melhor do que a convivência para conhecermos o verdadeiro "eu" da pessoa. Não acho que as coisas tenham mudado para Rafaela. Acho que ela não o conhecia de verdade.

    Adorei essa crônica. Você escreve muito bem, sabia? E eu adoro - ADÓOORO - receber sua visita no meu blog! :)

    ResponderExcluir
  5. Tem uma frase que não lembro de quem seja, mas diz mais ou menos assim:

    "Quando o amor perde o viço, nenhum carinho consola."

    É Lu, pra amar de verdade alguém, temos que admirar. Temos que nos enxergar no outro alguém. A partir do momento que o amor fica inconveniente, fica frio e logo gela.

    Entre mim e Jota Cê a conversa sempre foi outra, o nosso amor foi visto na hora que nos vimos no espelho de nossas almas.

    Beijo grande, menina que escreve lindo.

    Rebeca

    -

    ResponderExcluir
  6. Olha a coincidência.....
    Havia acabado de te linkar nos meus favoritos e vc comentando lá...sintonia básica! KKKKK
    Realmente....existem pessoas com prazo de validade em nossas vidas não é mesmo!!!
    O pior é quando eles teimam em renovar essa validade!!!


    ADOOOOROOOO aqui tbm viu!!! Vc escreve muito bem! Uma leitura fácil.....

    bjinhos

    ResponderExcluir