8 de abril de 2009

A perda

Nós nos conhecemos entre um olhar e outro por trás de computadores. Como opostos. Distantes. Diferentes. Totalmente, para dizer a verdade. As mínimas afinidades se tornavam quase desencontros. E se esquivavam. E se perdiam. Num retumbar sereno das ideias que se alastravam por aí. Eu era livre, independente, segura. Você era bobo, inconsequente, certinho. E deve ter visto em mim um reflexo inverso e incomum para passar a seguir meus pensamentos, meus instintos, meus destinos. Como uma sombra e na penumbra, zigue-zagueava pelos cantos a me buscar. De mim não tinha retorno. Eu idealiza mais fatos, mais braços, mais escudos. Não queria o óbvio. Queria mais e, de repente, demais até para o que podia. E me via numa estrada ascendente de mim mesma. Sabia o que valia e o que me destamparia num instante. E conscientemente não viria de você. Resisti. Padeci. Sobrei. Até que não mais venci. Fui abatida. Quase sem admitir. Fomos abrindo, então, os supostos lacres do porvir. Levitamos. Harmonizamos. Descortinamos a visão de nós mesmos. Foi quando sobramos e expandimos nosso rumos. Juntos, induzimos e instigamos o ir-e-vir com olhos marejados e cheios de crenças. E, também sem sentir, o tempo ecoou em algum lugar e reiteiramos os intentos. Intensos. Sobrenaturais. Sublimes. Excessivos. Nós nos confundimos tanto que perdemos nossa igualdade. Foi quando me ocultei e vi que você viria a reverter anseios, reciclar passados, buscar novas verdades. Passei a me tornar mentira. Erro. Desespero. E me debulhei. E chacoalhei. E guardei a angústia numa caixa preta debaixo da cama. Ficou ali, fora do peito e, assim como você, suprimiu. Sucumbiu. Sumiu de mim. Até hoje não mais o vi e nem sei se gostaria de vê-lo. Sigo minha senda. Com a diferença que aprendi de onde vim. E também para qual lado pretendo ir.

7 comentários:

  1. Uaaaaauuuuu!!!

    Que textão hein!!!!

    ADOREI!!!!

    bjinhos

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  2. seus textos são tão gostosos de ler que nem vejo o tempo passar qndo entro aqui, sorte ter encontrado.

    bjosss...
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  3. Acho que esse e um apendice do ultimo texto, nao? Como contei hoje sobre TRAUMAS/VIVENCIAS DESASTROSAS no blog CF... No final, a gente APRENDE muito com tudo. Com o desigual, o passageiro, o oposto a gente pode SE REVER e VER-SE.

    Grande beijo,
    Zin

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  4. Desculpa, to sem acentos aqui. Ficou ruim de ler, ne?

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  5. Às vezes, a gente lê um texto e gosta.
    Outras vezes a gente adora e recomenda aos amigos.
    Hoje, o teu texto me fez pensar muito.
    Gostei, adorei e recomendo aos amigos!
    Bjoooss!!

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  6. Sempre muito bom voltar ao teu blog, gosto daqui.
    Tenha uma bela Páscoa.
    Maurizio

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