17 de abril de 2009

Prisão

Karina vivia trancada em si. Não saltava. Não transbordava. Não emergia. Optava pela imersão no nada que alimentava em seu íntimo. Mesmo bela, era nula. Era tola. Desde pequena, aprendera que a vida ensina aos que a ela se entregam. E, por medo, afogou-se nas dúvidas que insistiam em atormentá-la. Fez do seu mundo um vácuo insano, sem a luz das novas conquistas ou a inquietação dos dissabores. Sua estrada era reta, sem curvas, insípida, incolor. Aos poucos, o tédio foi inundando o que havia por dentro. Foi nessa época que conheceu Paulo. Levado, explícito, envolvente. Um homem de fibra. Levou-a a descortinar as dores, a conhecer sabores, a experimentar cores e pigmentações que não passavam diante de sua retina. Tateou-a até remodelar cada vibração, com mãos espalmadas sobre seios, direcionando caminhos, descobrindo sensações. Sentiu-se mulher. Clareou o breu e intensificou nela o que o momento revertia. Viu-se certeira. Intensa. Pulsante. Recuperou-se do passado e entregou-se por inteira...


3 comentários:

  1. Lu, gosto tanto do que você escreve. Tão simples, mas tão expressivo.

    O Bom da vida é encontrar-se. Descobrir-se. E o bom da história é que Karina se encontrou. E como, viu!

    Meu beijo, linda. :*

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  2. Ainda existem várias Karinas, que não se permitem conhecer a felicidade.
    Nem sempre aparece um Paulo, salvador!
    Um beijo!!

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  3. Vc está cada vez mais pulsante com as palavras, hein!

    NADA como alguém especial para transformar tudo em nós!

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