1 de março de 2009

Tenho uma pequena princesa em casa. Não é minha exatamente. É emprestada. Minha irmã sempre adorou brincar de boneca e acabou ganhando, antes da hora planejada, uma linda linda que anda e fala. E como fala. Quando era um bebezinho bem pequenininho, dava um nervoso de pegar no colo. Parecia que qualquer movimento poderia levá-la ao chão. Mesmo assim, eu me arriscava. Um tempo depois, a diversão era levá-la na pracinha. Pula-pula, sorvete, água-de-coco, escorrega, água de novo, balanço, mais água e carrinho elétrico. Eu voltava exausta, suada e ela, com um sorriso estampado e com bochechas rosadas, nunca queria ir embora. Chorava, chorava e eu prometia voltar no próximo domingo. "Amanhã?", perguntava. "Não, domingo", eu respondia. "Então, dind, é amanhã", reforçava. "Tá bom, tá bom, meu amor", eu concordava, já que não tinha jeito. Mais um pouquinho de tempo passou e ela aprendeu a gostar de cinema, a ter medo de mar (apesar de que já está entrando na piscina rasinha), a pedir tudo o que passa na tv e a ficar cada vez mais carinhosa. Dia desses eu estava com uma baita dor-de-cabeça, uma enxaqueca danada. Ela me viu deitada na cama, de bruços, no escuro. "Dind, o que vc tem?", indagou curiosa, já que dificilmente me vê assim (graças a Deus, quase não fico doente). "Dor-de-cabeça, amor", respondi baixinho. "Quer uma massagem?", me surpreendeu. "Massagem, querida? Como assim?", perguntei para ver qual era a idéia dela. "É assim, dind. Eu sento no seu bumbum e mexo nas suas costas. Vai melhorar", garantiu. "Outro dia, querida. Dind está esperando a cabeça parar de doer", rejeitei. (Na hora fiquei pensando de onde ela tirou aquilo. Talvez deve ter visto seu pai e sua mãe num momento massagem ou viu alguma coisa na tv, sei lá. Poderia experimentar, mas, se ela pulasse nas minhas costas, eu ia ter mais uma dor para curar). Preocupada, ela não se deu por vencida. "Dind, então eu vou dar uma beijinho na sua testa para passar. Ainda vou pegar a coelhinha (um bichinho de pelúcia enorme que ganhei, é quase do tamanho dela e agora lhe pertence) e colocar nas suas costas porque ela vai ajudar". Saiu correndo perguntando a minha mãe onde estava a tal coelhinha. Voltou eufórica, confiante de que ia fazer algo por sua dind. "Aqui está. Vira um pouquinho para o beijinho e depois vou colocar a coelhinha. Depois disso, vc dorme um pouquinho", receitou ela. "Tá bom", respondi, sentindo a cabeça pulsar a cada palavra mais que eu pronunciava. "Pronto. Agora eu vou lá na sala e daqui a pouco eu volto para ver como vc está", prometeu. Me encheu de beijinhos e saiu serelepe. Nem um minuto se passou, voltou ela. "Já está dormindo? Melhorou?". "Estou ficando melhor", eu disse. "Tá. Então dorme", pediu. Ela foi e voltou, pelo menos, umas oito vezes. Fazendo a mesma pergunta. Estava realmente preocupada. Queria que eu ficasse boa e entrasse na farra com ela. E não é que aquele carinho todo e a aquela atenção fizeram minha dor-de-cabeça ir embora depois de algum tempo. Obrigada, minha linda. Dind te ama!  

Em homenagem à minha pequena princesa, a única música que penso agora é a que ela mesmo inventou. Sozinha, pasmem. Ela canta uma palavra que se parece com isso e não sabe explicar o que significa. "Cloustil, cloustil, a dança do final. Cloustil, cloustil, adoçando o final." Tem outras partes, mas é numa língua ininteligível. É impossível explicar o ritmo ou compará-la com alguma música que já tive acesso na vida. Provavelmente é uma adaptação de alguma de desenhos do Discovery Kids. 

2 comentários:

  1. Eu quero ummmm! Um boneco! Boneca não pois vou ser hiper ciumento, ainda mais nos tempos de hoje...rs
    Amo crianças. Na real, quero uma casa com umas 3, e uns cachorros, e um furão também, pra tocar o horror todos os dias a noite!

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