26 de março de 2009

Daniel era um rapaz de ouro. De sorriso fácil, gentil, tranquilo, sensato. Estava de bom-humor durante quase todo tempo. E também era sempre prestativo. Ajudava as senhoras que passavam carregando compras, levantava no ônibus para dar seu lugar às mulheres, abria a porta para todas elas. Entre outras boas ações. Mas tinha um defeito. Quando se sentia injustiçado, não controlava a angústia e revirava a alma. Parecia viver com raiva do mundo. Ríspido, cara amarrada, impaciente. Num dia desses de ira, foi conversar com aquele tio sábio que sempre lhe dava conselhos para a vida.

- Não sei o que acontece comigo, tio. Geralmente me sinto como se o mundo me abrisse os braços, me acolhesse e tenho desejo de retribuir a todos que passam pela minha vida. Tenho vontade de carregar o outro no colo. Sinto-me cada vez mais feliz quando posso agir assim.

- Que bom, filho. Gentileza gera gentileza. A bondade é sempre o melhor caminho. Sei que se sente pleno, com a emoção pulsando quando ajuda os outros, não e?

- Exatamente. Mas então por que fico remoendo raiva quando sou injustiçado? Por que isso me acontece?

- O sentimento mau é a ausência do sentimento bom. Quem não pratica o bem, dá espaço para o mal. É preciso entender que essa raiva realmente é inútil e não vai levá-lo a lugar algum.

- Mas o que faço, tio, para que apenas uma dessas sensações possa prevalecer?

- Essa é uma decisão apenas sua. Só você pode escolher a qual delas vai se entregar.

2 comentários:

  1. Eu adoro tudo que você escreve, sabia? Me vejo nas suas linhas. E como eu sempre costumo dizer: tudo depende da gente. O primeiro passo, a primeira escolha, o que seguir e o que não seguir... quem decide o nosso caminho somos nós!

    Lindo texto, bonito!

    Meu beijo!

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